Locações de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio — o que é real e o que não é
Atualizado
Boa parte da «Tóquio» do filme de 2006 não foi gravada em Tóquio. Questões de produção — autorizações, cronograma, custo — levaram grande parte do trabalho para estúdios e locações fora do Japão. A sequência do cruzamento de Shibuya é a exceção conhecida, filmada no cruzamento real sob condições bem restritas.
Isso decepciona muita gente, então vale dizer logo a metade útil: a cultura automotiva para a qual o filme apontava é real, ainda acontece, e você pode ir. Só não está arrumada do jeito que um filme arruma.
O que existe de verdade
O cruzamento de Shibuya. Real, gratuito, a dois minutos a pé da estação. Exatamente tão cheio quanto parece. Vá à noite, vá numa sexta e fique parado um tempo: o cruzamento é o destino, não um lugar de passagem.
O Daikoku PA. O encontro noturno que o mundo do filme insinua é real e acontece há décadas. Fica dentro de um anel da Shuto na baía de Yokohama, sem estação de trem e sem acesso a pé: é preciso chegar de carro. Sexta e sábado à noite.
A própria Shuto. O anel interno C1, a Bayshore, os túneis sob Ginza. Tudo real, tudo dirigível, tudo iluminado por aquele laranja de sódio à noite. É o mais próximo da atmosfera do filme que existe de verdade, e existe todas as noites.
As estradas de montanha. As serras com curvas fechadas existem e dá para chegar de Tóquio, sendo Hakone a mais acessível. Mas são vias públicas com trânsito normal, curvas cegas e sem área de escape.
O que foi construído ou dublado
A sequência do estacionamento de vários andares, a escola, a maioria dos interiores e boa parte da «Tóquio» ao nível da rua foram construídos ou gravados em outro lugar. Procurar um estacionamento específico do filme é uma forma de passar a noite sem achar nada.
Se um guia de locações te der um endereço exato, confira se ele cita alguma fonte. Muitas listas que circulam se copiam entre si, e várias apontam com toda a segurança lugares que nunca foram usados.
O que o filme acertou
Não a geografia. A textura: que a cultura automotiva de Tóquio acontece à noite, em vias que de dia são só infraestrutura, entre pessoas que levam aquilo a sério e que em geral te deixam em paz se você se comportar.
Essa parte segue intacta. Centenas de carros ainda se juntam numa sexta à noite numa área de serviço porque quem tem esses carros quer estacionar perto do trabalho dos outros. Ninguém organiza. Ninguém vende ingresso.
O que fazer de fato com uma noite
Se você veio pelo filme, o roteiro honesto é curto.
- O cruzamento de Shibuya à noite. Vinte minutos, de graça, vale a pena
- A Shuto depois das 21h. É a parte mais subestimada. O C1 é um anel apertado e alaranjado no meio da cidade, e é a experiência mais próxima do que o filme vendia
- Daikoku PA, sexta ou sábado. A versão real do encontro. É preciso resolver o acesso; escrevemos um guia separado sobre isso
Pule a caça às locações. Os endereços que circulam não são confiáveis, e os lugares reais são melhores do que os que foram cenário.
Sobre dirigir você mesmo
O Japão só aceita a Permissão Internacional para Dirigir da Convenção de Genebra de 1949. Vale conferir sob qual convenção a sua foi emitida antes de contar com isso.
E mesmo assim: na Shuto à noite, o banco do carona é provavelmente o melhor lugar. Você olha os túneis e a baía em vez de caçar placas numa escrita que não lê.
Resumo
- Boa parte da «Tóquio» do filme não foi gravada em Tóquio
- O cruzamento de Shibuya é real, a dois minutos da estação
- O Daikoku PA é real, sexta e sábado, só acessível de carro
- A Shuto é real e é o mais próximo da atmosfera do filme
- O estacionamento e a maioria das cenas de rua foram feitos em outro lugar
- Listas de locações online frequentemente citam lugares nunca usados
Se você quer a versão real daquilo que o filme apontava, é para isso que servem nossos rolês de sexta e sábado.